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Representatividade como vantagem competitiva - Por Gustavo Rodrigues

Na atualidade, as empresas deixaram de ter como único objetivo a maximização dos lucros e também passaram a se preocupar com questões socioambientais, voltando sua atenção a fatores que estão a sua volta e que compõem a sociedade em que ela está inserida; passaram a buscar meios de intervir nesses fatores e contribuir para o melhoramento da sociedade e do cenário social, através de práticas que minimizem ou anulem os impactos ambientais ou até mesmo históricos e sociais. A esta prática é dada o nome de Responsabilidade Social, e às divulgações destas práticas se dá o nome de Marketing Social, que é, concomitantemente, uma ferramenta de transformação social e uma forma de atrair clientes.


Em 2018, o filme Pantera Negra estreou nos principais cinemas do mundo rompendo diversos paradigmas da indústria cinematográfica. Contando com um elenco de mais de 90% de atores pretos, o filme foi considerado por Kevin Feige, presidente da Marvel, o filme mais importante da empresa, por trazer uma narrativa rara e preencher a imensa lacuna de heróis negros na cultura ocidental. O filme trata a respeito de Wakanda, uma nação africana altamente tecnológica e rica em um minério raro. O filme traz uma narrativa extremamente cativante a respeito de questões raciais, sociais, feminismo negro, colonialismo e as consequências da escravidão. Pantera Negra não se trata apenas de um filme, mas sim da representatividade dos negros na indústria cultural, que evidentemente reproduz os valores e ideias da classe dominante e projeta uma imagem estereotipada de personagens negros, muitas vezes reservando o papel de coadjuvantes, alívio cômico e, muitas vezes, criminosos.



Em um estudo sobre diversidade, a McKinsey & Company afirma que as empresas passaram a perceber que a inclusão social e a diversidade são uma fonte de vantagem competitiva, além de especificamente funcionarem como uma alavanca essencial de crescimento e performance. Em 2014, a organização constatou que as empresas com maior percentual de diversidade em sua liderança, isto é, maior proporção de mulheres e composição étnica e cultural mais variada, eram 15% mais propensas a ter lucratividade acima da média. Em 2017 esse número aumentou para 21%, o que mostra claramente que um investimento em políticas de inclusão e diversidade culminam em possibilidades de inovação e lucros.


Na década de 90, o grupo Racionais MC's lançou o que hoje é considerado um dos maiores discos de rap da história da música brasileira. O álbum Sobrevivendo no Inferno descreve a realidade dos presídios e das favelas paulistas da década. Em 2017, a editora Companhia das Letras lançou um livro homônimo para comemorar os 20 anos do álbum. Hoje, 23 anos após seu lançamento, o disco se encontra entre as obras literárias exigidas no vestibular da Unicamp. No álbum, a canção intitulada como "Capítulo 4, Versículo 3", traz uma série de dados estatísticos acerca da realidade da população negra naquela época e contexto, onde o rapper Primo Preto recita que nas universidades brasileiras, apenas 2% dos alunos eram negros.


Contudo, ao observarmos a esfera social, no que tange a presença de negros nas universidades brasileiras, é necessário uma análise muito cuidadosa e atenta. Em 2019, diversas mídias apontaram que os alunos negros são maioria nas universidades públicas. Em 2018 o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) constatou que 50,3% dos ingressantes em universidades públicas eram negros e pardos. Isto pode ser encarado como um reflexo das melhorias de políticas públicas. No entanto, a mestra em Direito Winnie Bueno afirma que é necessário muita cautela ao analisar estes dados, pois há diversas políticas e práticas de permanência que não são aplicadas, e que se a análise destes dados for superficial, se chegará a conclusão de que a política de cotas atingiu seu objetivo, o que está longe de ser uma realidade concreta. O ingresso de estudantes negros em universidades públicas é muito importante e relevante para a população preta, mas também é necessário questionar a cor dos cursos em questão; se estes dados consideram a cor dos cursos de medicina, direito, engenharia, odontologia, que são historicamente cursos ocupados pela elite e classe média alta brasileira.


Como constatado, políticas inclusivas estão diretamente relacionadas com possibilidades de inovações e aumento nos lucros das empresas. Por isso, separamos algumas dicas de como promover uma cultura mais inclusiva para uma empresa ou organização:


Criação de oportunidades: Neste caso, criar oportunidades inclusivas e representativas, pode fazer com que a empresa cause um grande impacto na sociedade, tendo como exemplo o caso do Magazine Luíza, que criou um processo seletivo exclusivo para pessoas negras.


Desburocratizar: A desburocratização no mundo do marketing desconstrói a ideia de que é uma prática elitista.


Investimento em políticas antidiscriminação: As iniciativas podem se mostrar como campanhas internas de conscientização, canais de denúncia, combate ao assédio e preconceito de cor e raça dentro do ambiente organizacional.


Adotando estas e muitas outras práticas promotoras de diversidade, além de projetar uma imagem positiva da organização no mercado, os impactos serão vistos ao longo do tempo, gerando uma transformação a nível social e promovendo igualdade, diversidade e justiça nos ambientes. Além do mais, com isso o marketing passa a ser, verdadeiramente, uma poderosa ferramenta de transformação social.


Gustavo Ferraz Rodrigues

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