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Natal e Consumismo - Bruna Manesco

O Natal é uma das datas comemorativas mais importantes do mundo. Tendo origem nas tradições pagãs, sua principal atribuição era comemorar o solstício de inverno. Posteriormente, o dia 25 de dezembro foi adotado pelo Cristianismo como a data simbólica do nascimento de Jesus Cristo, ganhando uma conotação altamente religiosa.


Na atualidade, o Natal transpôs o significado religioso e passou a ser comemorado mesmo por aqueles que não são adeptos ao cristianismo, sendo considerado uma ocasião na qual as famílias podem se reunir e trocar presentes. Portanto, apesar da tradição de presentear amigos e familiares neste dia ter sido inspirada pela passagem bíblica na qual os três Reis Magos ofereceram ao Menino Jesus três presentes, nem todos que continuam comprando lembranças e brindes fazem isso por motivos religiosos.


A verdade é que os presentes de Natal viraram uma questão cultural em muitos locais, consequência do marketing e estímulo ao consumo feito pelas empresas. Afinal, durante todo o mês de dezembro, as pessoas são bombardeadas com novas propagandas cada vez que ligam a TV, acessam suas redes sociais ou dão uma volta pelas lojas da cidade, incentivando que todas comprem pelo menos algo simbólico para presentear aos outros ou a si mesmo.


Uma empresa que é reconhecida na área e provavelmente um dos maiores símbolos do Natal é a Coca-Cola. Na década de 1930, a companhia foi responsável por fazer um comercial natalino que trouxe pela primeira vez o Papai Noel da forma que conhecemos hoje: um velhinho, barbudo, utilizando roupas e gorro da cor vermelha, escolhida justamente por ser a cor da marca. Desta forma, a empresa mostra como o poder da propaganda é grande e como um bom marketing pode ultrapassar o século e garantir que a marca seja lembrada para sempre como referência nas festas de final de ano.


Refletindo sobre todas essas tradições, uma reflexão surge: todo o consumo feito nesta época é realmente necessário? Alguns podem acreditar que sim, mas a realidade é que o Natal pode trazer um consumo exagerado de vários produtos que nem serão utilizados. Estimativas da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas mostram que 77% dos consumidores irão presentear esse ano, sendo 4,5 a média de presentes que cada um irá comprar, representando uma quantidade alta de produtos circulando.


Já a pesquisa Natal Sustentável, feita pelo Radar Pesquisa, mostrou que menos de 50% das pessoas deixam de comprar embalagens especiais para os presentes, as quais geram mais descarte de fita e papel, ou então que apenas 56% dos entrevistados reutilizam embalagens. Assim, pensando em todo o descarte gerado pelas embalagens, decorações e produtos não utilizados, a geração de lixo é enorme, tendo muito impacto no ambiente.


Desta forma, apesar da tradição de presentear ser uma forma positiva de unir as pessoas e celebrar momentos, é preciso ter consciência na hora do consumo; diversas propagandas vão tentar convencer você a comprar só um produtinho, mas a dica é pensar sobre a necessidade de cada item e até mesmo na embalagem que está sendo utilizada. Não significa que não se deve consumir, muito pelo contrário, o Natal ajuda muito no setor econômico, é apenas deixar o consumismo de lado e aproveitar outros significados do Natal.


Bruna Manesco

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