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Impactos Econômicos da Guerra da Ucrânia - Luiz Gabriel da Silva Hidalgo

Desde o dia 24 de fevereiro de 2022, Rússia e Ucrânia - duas ex-repúblicas soviéticas - entraram em conflito a partir da invasão do território pertencente à Ucrânia por soldados russos. Evidencia-se, entretanto, que os conflitos entre os países vizinhos ocorrem desde o ano de 2014, quando a Rússia reivindicou a Península da Criméia - território ucraniano na época.


A guerra, ou operação militar - como a Rússia denomina - foi justificada por esta como uma maneira de impedir o país vizinho de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), devido à possibilidade da instalação de bases norte-americanas próximas ao território russo, representando assim uma grande ameaça. Ademais, a Rússia também tem como justificativa da invasão a defesa dos interesses das regiões separatistas situadas no leste da Ucrânia.



É evidente, deste modo, que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia impacta não só as redondezas do leste Europeu, mas todo o mundo - visto a representatividade, principalmente russa, em boa parte da economia mundial. Em primeiro lugar, destaca-se a importância da Rússia na exportação de gás natural e petróleo, que foi afetada em grande escala, fazendo com que países como o Brasil - que apesar de produzir combustível, consome em proporções maiores - sofram com a alta dos preços dos combustíveis fósseis devido à redução de oferta no mercado.


Segundo o presidente da conferência climática das Nações Unidas (COP26), Alok Sharma, com a proibição das importações de petróleo e gás natural da Rússia feitas pelos Estados Unidos e Reino Unido, a União Européia também se mostra favorável à proibição, além disso, também há o aumento nos preços de combustíveis não renováveis, portanto, ambos os fatores implicam na aceleração do processo de transição dos países para a energia limpa, o que traria uma segurança elétrica em períodos de crise.


Além do impacto da redução da oferta de combustíveis no poder aquisitivo do brasileiro, há também o efeito causado pela queda nas exportações Russas e Ucranianas referentes ao trigo, milho e outros cereais. Estima-se que os dois países juntos representam cerca de 30% da exportação mundial destes, que são insumos não só para a produção de massas no geral, mas também servem de alimento para animais - causando assim um aumento generalizado de preços em uma grande parte dos alimentos, sejam eles diretamente ou indiretamente ligados às commodities exportadas pelos países em conflito.


Após o início da guerra, uma quantidade considerável de empresas ocidentais encerraram suas atividades (pelo menos temporariamente) no território russo, seja pelo poder das sanções ou dos possíveis danos à imagem que poderiam ser causados à estas. Portanto, o país passa por uma crise financeira - devido à queda brusca de investimento do exterior com a saída de grandes empresas como Visa, Mastercard, AMEX, Shell, Coca-Cola, McDonald 's, etc.


No tocante ao caso da saída do McDonald’s do país, evidencia-se que todas a estrutura e os funcionários das 800 lojas do fast-food estadunidense permaneceram em território russo, o que implicou na inusitada criação do “Tio Vanya”, ou Дя́дя Ва́ня (em cirílico), que consiste na “versão russa” do restaurante, que utiliza toda a estrutura deixada pela empresa, porém com ingredientes 100% russos utilizados em seus lanches - sendo, portanto, a primeira resposta do país em relação às sanções do ocidente.



Por fim, destaca-se que consta em processo um pedido de registro da marca (com um logotipo muito semelhante aos arcos dourados) da rede de restaurantes do “Tio Vanya”, visto que dificilmente tal ato será impedido pelas autoridades e tribunais russos.


Luiz Gabriel da Silva Hidalgo



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